Implementar o DMARC passo a passo
Implementar o DMARC tem menos a ver com escrever um registo DNS e mais com conduzir uma implementação controlada: começar em modo de monitorização, descobrir todos os remetentes legítimos, corrigir o alinhamento e só depois aplicar progressivamente. A aplicação apressada é a causa número um de correio legítimo perdido, por isso trate isto como uma migração faseada.
Pré-requisitos
O DMARC assenta no SPF e no DKIM, por isso confirme primeiro que ambos estão em ordem:
- Um registo SPF que cubra todas as origens legítimas (
v=spf1 ... -all), abaixo do limite de 10 consultas. - Assinatura DKIM ativada nos seus fornecedores de correio, com chaves de 2048 bits publicadas sob seletores.
Confirme que uma mensagem real passa hoje ambos e alinha com o seu domínio de From: antes de tocar no DMARC.
Passo 1 — Publicar um registo de monitorização
Comece em p=none. Isto não altera nada na entrega; apenas solicita relatórios.
_dmarc.example.com. IN TXT
"v=DMARC1; p=none; rua=mailto:[email protected]; ruf=mailto:[email protected]; fo=1"
rua— para onde vão os relatórios agregados (XML diário).ruf— relatórios forenses ou de falha (muitas vezes não suportados por razões de privacidade; opcionais).fo=1— pedir um relatório sempre que qualquer mecanismo falhe o alinhamento.
Se os relatórios forem para outro domínio, acrescente lá um registo de autorização:
example.com._report._dmarc.reports-vendor.net. IN TXT "v=DMARC1"
Passo 2 — Ler os relatórios agregados
Os relatórios agregados são XML, um por recetor por dia, organizados por IP de origem:
<record>
<row>
<source_ip>198.51.100.10</source_ip>
<count>42</count>
<policy_evaluated><dkim>pass</dkim><spf>fail</spf></policy_evaluated>
</row>
<identifiers><header_from>example.com</header_from></identifiers>
</record>
O XML em bruto torna-se penoso à escala — carregue-o num analisador de DMARC. Construa um inventário de cada IP emissor: plataforma de marketing, sistema de tickets, ferramenta de RH, faturação, help desk, os seus próprios MTA. Para cada um, confirme se passa SPF e/ou DKIM e se alinha.
Passo 3 — Corrigir os remetentes legítimos
Para cada origem cujo alinhamento falha:
- Falha de SPF — acrescente o
include:ou os IP do remetente, atento ao teto das 10 consultas. - Falha de DKIM — ative o DKIM nesse fornecedor e publique o seu seletor; o alinhamento DKIM resiste melhor ao reencaminhamento, por isso dê-lhe preferência.
- Nenhum alinha — encaminhe esse correio por um percurso autenticado ou passe-o para um subdomínio dedicado (por exemplo
mail.example.com) com registos próprios.
Itere até os relatórios agregados mostrarem cerca de 100 % do volume legítimo a passar e alinhado. Numa organização grande, esta fase pode levar várias semanas.
Passo 4 — Quarentena com rampa
Passe a quarantine, mas implemente gradualmente com pct:
"v=DMARC1; p=quarantine; pct=25; rua=mailto:[email protected]; adkim=s; aspf=s"
pct=25 aplica a política a um quarto aleatório do correio que falha; o restante continua a ser tratado como none. Suba 25 → 50 → 100 ao longo de semanas, vigiando os relatórios à procura de algum remetente legítimo esquecido.
Passo 5 — Aplicar reject
Quando a quarentena a pct=100 estiver limpa, avance para a aplicação plena:
"v=DMARC1; p=reject; rua=mailto:[email protected]; adkim=s; aspf=s"
Não esqueça os subdomínios. Defina uma política explícita para eles, de modo que ninguém possa abusar de um que não usa:
"v=DMARC1; p=reject; sp=reject; rua=mailto:[email protected]"
Modo de alinhamento: estrito ou relaxado
aspf=r/adkim=r(relaxado, o valor por omissão) — basta o mesmo domínio organizacional (mail.example.comalinha comexample.com).aspf=s/adkim=s(estrito) — exige correspondência exata.
O relaxado costuma ser o correto; use o estrito apenas quando controlar por completo todos os remetentes de subdomínios.
Todo o sentido do DMARC é
p=rejectcom cobertura elevada. Um domínio deixado para sempre emp=noneestá monitorizado mas continua falsificável — os relatórios são o meio, a aplicação é o objetivo.
Operação contínua
- Continue a ler os relatórios agregados; surgem constantemente novas ferramentas SaaS que falharão se não forem autorizadas.
- Rode periodicamente os seletores DKIM.
- Configure alertas para picos de volume falhado a partir de IP desconhecidos — costuma ser uma campanha de falsificação em curso.
Como ajuda a GottaPhish
Chegar a p=reject trava a falsificação exata do domínio, mas os atacantes respondem com domínios parecidos e iscos no nome apresentado que o DMARC não consegue bloquear. A GottaPhish e a sua equipa de especialistas fecham essa lacuna residual: simulações realistas contra precisamente esses vetores — domínios «primos», remetentes desalinhados — além de painéis que ligam cada ataque às pessoas que caíram. Os nossos especialistas apoiam a implementação, desenham cenários adequados à sua fase de aplicação e ajudam a interpretar os resultados, para que a sua adoção do DMARC ande a par da formação que fecha a lacuna humana.
